A Semana Europeia de Cicloturismo 2019 é um evento à escala da Europa, com participação na ordem dos 1500 participantes, na sua maioria estrangeiros realiza-se em Belmonte, no coração do território das Aldeias Históricas de Portugal.

É uma excelente oportunidade de intercâmbio com ciclistas vindos de vários países da Europa e também de outros continentes, com alguns participantes da Austrália e do Canadá.

Este é um evento de ciclismo de lazer, sem pressas, sem corridas, onde o propósito é descobrir a região por onde se desenrolam os inúmeros percursos marcados e também outros, apenas disponíveis em mapa ou GPS.

Poderá desafiar-se em percursos longos de mais de 100km, ou então desfrutar calmamente em família de voltas mais curtas e mais relaxantes.

Poderá estar em Belmonte toda a semana, de 29 de junho a 6 de julho, ou então aproveitar apenas alguns dias para desfrutar deste imenso território.

Será uma excelente oportunidade de intercâmbio, para umas mini-férias em família, ou até para um acampamento com o seu clube ou equipa.

 

Da Semana Europeia de Cicloturismo faz parte um vasto Cartaz Cultural nos vários dias de prova:

29 de junho | 21:30h
Fado Consentido

30 de junho | 21:30h
Mila Ferreira
Bonsoir Paris

1 de julho | 21:30h
DJ Pedro D’Orey

2 de julho | 21:30h
Virgílio Faleiro

3 de julho | 21:30h
Orquestra Ligeira do Exército

4 de julho | 21:30h
Rancho Folclórico da Boidobra

5 de julho | 21:30h
Filipe Nunes

 

Visite o site: http://sect2019.fpciclismo.pt/pt para ver toda a informação.

Página de Facebook: https://www.facebook.com/sect2019/?epa=SEARCH_BOX

Guia com Programa: https://cm-belmonte.pt/wp-content/uploads/2019/06/GUIA-SECT-WEB.pdf

Após serenatas de Dvořák, Brahms e Grieg a treze localidades do Sabugal, Covilhã e Penamacor, e porque não há duas sem três, nem três sem quatro, eis a quarta edição das maratonas com orquestra de bolso, que irá propor o mesmo programa da terceira, oferecendo a música do norueguês Edvard Grieg, desta vez no Concelho de Belmonte.
Esta iniciativa faz parte de um programa de ambicioso alcance social e territorial, que passará por 18 localidades, tocando e falando sobre música, de forma a enriquecer e complementar a experiência do público.

Os concertos serão dirigidos e apresentados pelo maestro Martim Sousa Tavares.

Com entrada gratuita, cada concerto tem a duração aproximada de 45 minutos.

 

O Município de Belmonte, na pessoa do Sr. Vereador Amândio Melo, assinou na passada sexta-feira, em Vila Pouca de Aguiar, o ato formal de constituição da Federação Portuguesa dos Caminhos de Santiago, na qualidade de Membro Fundador.
A Federação Portuguesa do Caminho de Santiago une 60 entidades com o objetivo de implementar uma estratégia e sinalética comum nestas vias de peregrinação. Tem também como objetivo a promoção, divulgação, organização e gestão dos Caminhos de Santiago em território nacional.
Relembramos que temos no nosso concelho dois caminhos para Santiago de Compostela. O Caminho “Via da Estrela, desde Cáceres e o Caminho “Nascente”, marcado desde Évora.

 

Com o início da Judaica, que decorre de 23 a 25 de maio, partilhamos o texto na íntegra que a Escritora Antonieta Garcia teve a amabilidade de escrever para a segunda edição de Belmonte Cultura. A Escritora é autora do livro “Ana dos Rios na inquisição – um livro na fogueira” que será apresentado hoje no Museu Judaico pelas 18horas.

“Amar Belmonte

Olha o Castelo de Belmonte! Avista-se de longe, altaneiro, ilustre, nobre. Convida a entrar. Miradouro de verdes, num céu de luz, as casas aninhadas nas encostas oferecem a hospitalidade, a delicadeza das gentes da Beira.

Belmonte é um monte belo ou um belli monte (monte de guerra)? A verdade fica mais harmónica, se acatarmos a imagem de atalaia dissuasora de investidas de inimigos e lhe associarmos a ideia de «be1o monte» que o olhar livre certifica.

No burgo antigo, esperam-me aventuras à esquina do acaso…. Entrego-me à fantasia e ouço as histórias de monumentos e heróis, um património precioso que enriquece a cultura portuguesa. Convivo com trovadores e bailadeiras, vagamundos sonhadores e poetas, clérigos, camponeses… gente que ergueu com a cruz, a espada e o arado a terra de Cabral.

Desde meninos que os belmontenses entendem que o Castelo e a Igreja de Santiago são antepassados afetivos; ali, seivam o imaginário com as múltiplas histórias protagonizadas pela família Cabral.

A história é longa. Frei António Brandão diz que os Cabrais ficaram em Espanha do tempo dos Gregos e que suas armas (que são duas cabras passantes armadas de púrpura e de preto, e por timbre uma das Cabras do Escudo) …. Informa que, in illo tempore, ocuparam lugares mui honrados, foram senhores de muitas terras. Tantas e tamanhas foram as dádivas de coragem e o valor da intervenção a favor do reino, que João Roiz de Saa explica: “de purpura celestial / sobre prata mui luzente / a geração mui valente / que delas se diz Cabral, / traz sem ouro diferente / e para que estas aponte / seu esforço e lealdade / naquela grão liberdade / do castelo de Belmonte.”

Lenda e História que belmontenses afeiçoaram, ao longo dos tempos, revelando as heranças múltiplas, o tecer de laços com outras culturas. Luiz Vaz de São Payo, nos anos 70 do século XX, afirma que: “O apelido Cabral originário ao que parece dum topónimo da Galiza, daí se espalhou a Castela e Portugal onde surge historicamente na segunda metade do século XIII”.

A ligação a Belmonte teria origem em D. Gil Cabral que nomeou como herdeira, Maria Gil. No testamento, dispõe que institua morgado – Luís Álvares Cabral é o escolhido – e edifique uma capela em honra de Nossa Senhora da Piedade, na Igreja de São Tiago. Sobre esta capela escreveu José Saramago: “O viajante entra, desprevenido, e dados três passos, para sufocado. (…) É um corpo visto por dentro e mais belo do que espera ao entrar. (…) Encostado à parede, um grupo escultórico representando a Virgem e o Cristo morto, ele deitado sobre os joelhos dela, virando para nós a cabeça barbada, a chaga entre as costela, e ela não o olhando já, nem sequer a nós. (…). O viajante tem em Belmonte um dos mais profundos abalos estéticos da sua vida. Aconselha ainda Saramago: Veja tudo…, mas antes de sair coloque-se outra vez diante da Pietá, guarde-a bem nos olhos e na memória, porque obras assim não as vê todos os dias.” Revi a Senhora da Piedade belmontense pelos olhos do Nobel português de literatura e agradeci-lhe emocionada este texto.

Luís Álvares Cabral foi, pois, o primeiro alcaide, primeiro senhor da Casa de Belmonte. Alcaide foi também, Fernão Cabral (III), pai do descobridor do Brasil; integrou os Conselhos de D. Afonso V de D. João II. Foi Regedor de Justiça nas comarcas da Beira e Riba Côa; D. Afonso V cedeu-lhe terras e benesses pelos serviços prestados. Traça-lhe retrato «galante» o Cancioneiro Geral de Garcia de Resende: “Sois na corte grande / e no campo outro tal.”. As damas do paço confiavam, abriam-lhe o coração e ele “revolvia-lhes as bodas”; elogiava o poeta: “Picais-vos muito d’amor, / Quer nos venha bem quer mal, / Nem há em Portugal/ De damas tal servidor…/.

Casará com D. Isabel de Gouveia. Teve prole numerosa: 6 raparigas e 5 rapazes; entre eles, Pedro Álvares Cabral, escudeiro da casa real, foi o escolhido para comandar a viagem do achamento do Brasil. (Ai, Pedro, quando a inveja comanda… que fazer?) A perda de naus, durante a viagem, revelou-se arma de intrigas palacianas. Magoado, o descobridor do Brasil, deixou a corte. Casado com D. Isabel de Castro, fixa-se em Santarém.

Claro que a memória da família Cabral tem outros contornos; para os moradores mais idosos da vila, a Tulha, atualmente espaço museológico, era o imóvel onde viam chegar os pagamentos, de todos os foros… Mas o convívio continuado com a família nobre e poderosa, a construção do solar – século XIX – um passado quotidianamente recuperado pela memória continua a seivar o imaginário, a encantar desde a infância. A componente de exploração de grandes senhores foi esquecida; sobrou a linhagem de nobreza, cujo expoente maior é o descobridor do Brasil. Leia-se o texto do Jornal “A Serra”: “A Serra saúda a nobre terra de Pedro Álvares Cabral, terra bendita, berço de heróis e de Santos, Jardim formoso em que as flores são lendas encantadoras que a transformam num verdadeiro «Paraíso». (…) A Senhora da Esperança que acompanhou Pedro Álvares Cabral ao Brasil e que foi a santa mais querida de toda a população de Belmonte, é a santa milagreira que espalha toda a esperança àqueles que lha pedem[1]. O periódico, dirigido por republicanos, a par dos Livros de Actas da Câmara Municipal, permitem configurar o sentir da vila, naquele período. No álbum da memória coletiva, Pedro Álvares e a Senhora da Esperança mantêm lugar de privilégio. Havia reivindicações para melhorar a vila? Havia! “Mas se alguém mais corajoso lembra os nomes sempre queridos de conquistadores e navegadores, de missionários, santos e de bispos e de governadores de que esta terra foi berço, esquecem-se as misérias atuais e julgam-se, os Belmontenses, os entes mais felizes do universo”.

É este o encanto de Belmonte senhor de uma identidade mítica, cujas traves-mestras passam pela sagração das heranças e das histórias da família Cabral.

Pedro Álvares Cabral criou uma solidariedade anímica com Terras de Vera Cruz. Em Belmonte é quase venerado.

Lembro que no Panteão dos Cabrais, na Igreja de S. Tiago, já no século XX, foi colocado um sarcófago que contém cinzas do navegador, frente ao altar. Pela proximidade, encobre totalmente, a porta do Carneiro, datada de 1630. Sugeriu-se, um dia, a deslocação do sarcófago para tornar visível o carneiro do Panteão, raros nas igrejas da Beira e testemunhos de uma época específica de inumação de corpos. Mas, “Aquele é o espaço mais sagrado!”, logo é aquele que Pedro Álvares Cabral deve ocupar. O maior pergaminho da vila é ser terra mãe do herói. É frequente, entre os naturais de Belmonte, ouvir a expressão “proceder à Pedro” – que legitima qualquer ato, ratifica um comportamento conforme aos cânones de honradez, coragem, frontalidade, qualidades que até a mesma água de batismo, garantiria. Afirmava orgulhosamente uma funcionária da Câmara Municipal que acompanhava os visitantes à Igreja de Santiago, até à primeira metade da década de 80: “Aqui – apontava a pia batismal – foi batizado Pedro Álvares Cabral e eu também… e todos os que nasceram até 1940”.

Outro espaço sagrado é o Castelo. Sujeito a uma intervenção, que visou a revitalização do espaço, entre 1989 e 1992. E se as escavações acrescentaram conhecimento à História da vila, valeu também a edificação de um anfiteatro para realização de espetáculos, a construção de acessos às janelas do Castelo, excelentes miradouros… Ainda assim, houve protestos. Os mais radicais afirmavam: “Se todos fossem da minha força, deitávamos aquilo tudo abaixo!”. Falava o receio de que se perdesse um marco identitário poderoso. Múltiplos elogios acabaram por favorecer a ligação da população, com o Castelo. Felizmente benfeitorias várias foram introduzidas posteriormente, até hoje.

A estátua do navegador é um marco espacial na vila. Junto ao Pedro, se marcam encontros; a intimidade e cumplicidade que emergem de uma longa vivência em comum, permitem a familiaridade. Não há comemoração, festa, que não inclua uma romagem à estátua. A data do feriado municipal foi escolhida para celebrar a primeira missa celebrada em terras do Brasil – 26 de abril de 1500 -. Anualmente renova-se o ato sagrado. As procissões – 25 e 26 de abril – com a imagem da Senhora da Esperança que, segundo a tradição, acompanhou Pedro Álvares Cabral, na viagem ao Brasil, são também ponto alto das festividades. A Senhora da Aparecida, oferecida a Belmonte pelo Brasil, cultuada no mesmo altar da Igreja Matriz de Belmonte, acompanha-a. Velas de vários tamanhos, oferta de mantos para a Senhora, a ornamentação de andores que se disputa a anos de distância, as ofertas em ouro, dinheiro, revelam a fé que o povo de Belmonte deposita na Senhora que não sendo padroeira, é a santa mais venerada.

De Belmonte, a Senhora da Esperança não sai: é o povo que a protege, fazendo vigílias à porta da Igreja, sempre que paira a possibilidade de figurar numa exposição fora da localidade. De resto, a transferência da Igreja de S. Tiago para a atual Matriz é justificada: Na Igreja Nova, a Senhora “… está mais protegida”.

Este é o meu Belmonte.  O convívio com aventureiros de vários sonhos, nas naus que sulcaram mares, em demanda do Mundo Novo, vive-se pela memória.

Por tudo isto, o turismo, sustentado pelo património histórico e arquitetónico, é um sector de importância considerável no desenvolvimento do concelho. São frequentes as deslocações à localidade de pessoas que procuram conhecer a terra-mãe de Pedro Álvares Cabral, o descobridor oficial do Brasil e… onde existe uma comunidade judaica apontada como única, em Portugal e no mundo. A Tulha, o Solar dos Cabrais, a Judiaria, e desde novembro de 1996, a Sinagoga construída de raiz, o Museu Judaico e outros… atraem a curiosidade de nacionais e estrangeiros…

A presença de uma comunidade judaica, na vila, não foi alheia à manutenção e preservação dos símbolos identificadores de não judeus. A “linhagem” da família Cabral conferia prestígio, assegurava a mestria de identidade pela afirmação enfática da história, de mitos, de modelos. Ora, a coexistência, em Belmonte, de não judeus e de uma comunidade judaica, com identidades culturais, marcadas por traços diferenciados, privilegiando linhagens distintas, favoreceu os processos de produção simbólica dos grupos e a sua reprodução.

É este o meu Belmonte; falamos como velhos amigos. Pelas ruas cruzei-me com gentes que sempre saudei e com as lembranças de notáveis… Fiquei cativa da vila.

A 25 de Abril de 1974, morava na atual Rua dos Cravos, numa casa alugada a Abílio Morão. E vi crescer Belmonte como um velho senhor, galante. Aos genes aristocratas foi buscar o bom gosto; aos plebeus a argúcia, a determinação, a sobrevivência…. Andou pelos teares, pelas confeções… Atualmente a Educação e o Turismo são focos relevantes de desenvolvimento do concelho. O que falta para ser uma joia da Coroa?

Não há urbe sem deuses e sem demónios, sem generosos e interesseiros, sem trabalhadores e militantes da preguiça. Belmonte, senhor ilustre e grave sempre conheceu uns e outros. Soube escolher. Agora, que é do pastor para sonhar três noites seguidas com o tesouro, «Amar Belmonte», para que se cumpram todas as utopias?!

[1]  Jornal “A Serra”, Belmonte, 24 de setembro de 1925.”

Decorreu hoje no Município de Belmonte, a conferência de imprensa para apresentação da V Meia Maratona de Belmonte. Estiveram presentes, o Presidente Dr. António Rocha, Vice-Presidente António Manuel Rodrigues, Pedro Afonso, representante da ChronoChip Eventos Desportivos e o padrinho da prova Paulo Gomes. Inês Monteiro também será madrinha da prova mas não esteve presente por motivos profissionais.

Relembramos que as inscrições estão disponíveis até 26 de maio.

 

À semelhança de anos anteriores, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Belmonte participa numa iniciativa que é também assinalada por todas as CPCJ do país. Assim, desde o dia 1 de abril estão colocados laços azuis (símbolo desta efeméride), nos edifícios públicos históricos e institucionais, que pretendem sensibilizar para este tema, bem como em todas as escolas e jardins de infância do Concelho de Belmonte públicos e privados. Os laços foram elaborados pelas crianças do pré – escolar público e privado bem como pelas crianças do 1º ciclo de Caria, Colmeal da Torre e Carvalhal.