18 de Abril
15h00 – Teatro: Cartas do Novo Mundo (Sessão Escolas)
21h00 – Teatro: Cartas do Novo Mundo (Público em geral)
Local: Museu dos Descobrimentos

CARTAS DO NOVO MUNDO
Um espetáculo que propõe uma viagem entre a Amazónia e a Consciência…

CARTAS DO NOVO MUNDO é um espetáculo construído a partir de “A Carta”, de Pêro Vaz de Caminha (escrita em 1500) e de alguns outros excertos de outras cartas contemporâneas, de pilotos anónimos.

Através deste espetáculo os espectadores são sensibilizados para o conhecimento do “verdadeiro paraíso natural” que as terras de Vera Cruz foram para os olhos dos primeiros portugueses que por lá atracaram.

Esforçámo-nos e citando Jaime Cortesão, “por conservar tanto quanto o permitem a clareza e correção literária, exigidas pelo leitor comum, a graça tão saborosa do original, essa dicção arcaica e, sem embargo, tão fresca de Primitivo da Arte de escrever.” Recuperamos a espontaneidade nativa das emoções descritas respeitando a força íntima dos carateres e modos de dizer. Por isso mesmo certas expressões guardam em si uma forma inseparável de candura, humildade ou fervor que as ditou – aquele travo humano que a personalidade e a época transmitem e que tão bem se adequa ao trabalho de ator nesta nossa experiência cénica. Procurámos, assim, conservar o mais possível a contextura e o ritmo de linguagem de Caminha, aquilo que Fernão de Oliveira chamava “a música natural”.

Na realidade, “A Carta…” de Pêro Vaz de Caminha, tendo as caraterísticas de uma epístola, tem também as caraterísticas de um diário de viagem; apresentando-se aos olhos do leitor moderno como um texto espontâneo, capaz de transmitir uma parte das sensações que um homem do século XV viveu durante um encontro único com uma humanidade até àquele momento desconhecida. Por isso, sendo um documento interessante para estudos de caráter historiográfico, geográfico, antropológico, de história de mentalidades é, também, um excelente texto para dramaturgia, permitindo a construção de personagens, ambientes e atmosferas, especulações dramáticas e diálogos temporais entre o passado e o presente.

É que no nosso horizonte de trabalho estão sempre presentes os jovens e espetadores do séc. XXI a quem este trabalho é dedicado – como os “espantar” com A Carta? Como os fazer viajar no Tempo e no Espaço sem os desconectar com o seu Tempo atual? Como os interessar pelos indígenas de ontem e de hoje e os seus respectivos direitos naturais? E como os integrar no debate, atualíssimo, da salvação e preservação da Natureza em geral e da selva da Amazónia em particular? Como não apagar com a doçura desta Carta a terrível colonização que se lhe seguiu, em que milhões de índios foram mortos?

Esta, afinal, a razão da representação deste espetáculo em espaços de museu como o são as Galerias da Amazónia (em Lisboa), ou o Museu dos Descobrimentos (Belmonte).

Dramaturgia e encenação: Miguel Abreu
Interpretação: F. Pedro Oliveira
Co – Produção: Cassefaz e Academia de Produtores Culturais
www.cassefaz.com