Espetaculo “Caminho” | 4, 5 e 6 de Setembro | Castelo de Belmonte

A Rede Artéria, a Câmara Municipal de Belmonte e a Mundo Reboliço anunciam a estreia, no Castelo de Belmonte, de um “espetáculo-encontro” intitulado “Caminho”, nos dias 4, 5 e 6 de setembro, às 19h00. A oitava e última produção da Rede Artéria é uma criação da coreógrafa e performer Filipa Francisco, onde se cruzam memórias e narrativas, teatro e música, palavras e máscaras, baile e entrudo, passado e futuro. O acesso é gratuito, mas a lotação é limitada (reserva de bilhete através do formulário disponível mais abaixo)

Preparado em contexto comunitário (em co-criação com seis participantes locais), “Caminho” foi construído a partir das biografias e das narrativas da população do concelho de Belmonte. E Filipa Francisco relata essas visitas às freguesias e as entrevistas aos moradores, antes da pandemia do novo coronavírus: “Palavras e palavras gravadas em vídeo e transcritas para o papel. Todas elas misturavam e falavam de passado, presente e futuro.
Transcrevemos as palavras no papel, olhámos para essas palavras. Todas elas falavam de momentos de trabalho árduo, das minas, da agricultura, das fábricas ou da cestaria.” Depois, com o Covid-19, o projeto teve de ser interrompido e, agora, readaptado. Mas, como sustenta a autora, há que “fazer nascer deste baile, fazer nascer deste entrudo” o “Caminho” para um outro rumo – e, talvez, um melhor futuro.

O criador, investigador e programador cultural Hugo Cruz escreveu: “Num tempo e espaço que reforça as nossas dúvidas, medos, inquietudes e fragilidades resta-nos a reinvenção do CAMINHO como um regresso a nós – os humanos”. E considera que este “espetáculo convoca as nossas ancestralidades confrontando-as com o hoje, tantas vezes opaco, sem deixar de ensaiar a construção de outras realidades possíveis, reequacionando o lugar do ‘eu’ e propondo um ‘nós’, distanciado do velho olhar identitário homogéneo”.

Na sua reflexão, Hugo Cruz explica como o atual projeto “trouxe para a sua construção uma pandemia que nos distanciou e abalou a tirania das certezas, decidindo, perante isso, não ter, serenamente, soluções. O grupo, em cocriação, construiu um espetáculo de dança com participação comunitária em que o encontro, o toque e o estar em coletivo foram colocados em causa, pelo menos da forma como os conhecíamos até então. Mesmo assim, o CAMINHO fez-se, respirando muito e bem, cruzando corpos em busca das suas origens, propondo a bailarinos e músicos, profissionais e não profissionais das artes, correr os mesmos riscos éticos e estéticos. Convocaram-se instrumentos musicais como extensões dos corpos, a tecnologia da atenção e do detalhe como parte integrante do processo, a mescla de referências, histórias, vozes e visões múltiplas e uma vontade pulsante de criar e, assim, concretizar outros ‘estar juntos’.”

Para além de Filipa Francisco (conceção, direção artística e interpretaçāo), fazem parte da ficha criativa de CAMINHO, Tiago Pereira (música e interpretaçāo), Carlota Lagido (figurinos), Miguel Canaverde (vídeo), Matthieu Réau (cenografia, assistência direção artistica e direçāo técnica), Bruno Simāo (fotografias) e a cocriaçāo de António Almeida, Beatriz Marques Dias, Bruno Alexandre, Edgar Costa, Joana Carvalho, Luísa Batista, Verónica Calheiros e Verónica Gonzálezz.

E as máscaras de Fernando Nelas, anteriores ao tempo que vivemos!

Reservas em https://cm-belmonte.pt/espetaculo-caminho

A Rede Artéria é um projeto de intervenção sócio-cultural, com coordenação artística d’O Teatrão, que articula uma componente de programação cultural, criação artística, acompanhamento científico e participação comunitária. Desde 2018, esteve na origem de sete espetáculos originais: “Coimbra Sofia, Meu Amor!”, Trincheira Teatro; “Vagar”, Marina Nabais; “A Rua Esquecida” Fernando Moreira / Astro Fingido; “saal” Filipa Francisco; “Labirinto”, Graeme Pulleyn; “Borralho”, Gonçalo Amorim / Teatro Experimental do Porto; “Luto”, André Braga e Cláudia Figueiredo, que estrearam e circularam por Coimbra, Ourém, Fundão, Figueira da Foz, Guarda, Viseu, Tábua e Belmonte.

Sinopse

Caminho através de danças
De épocas
De histórias
De movimentos de baile e de entrudo
De danças imaginárias
De lugares imaginários
Construir/desconstruir
Tradiçāo
O que é a tradiçāo?
E se misturássemos tudo?
E ainda ficássemos atentos ao voo dos pássaros?

“A história da Dança não é não pode ser o Percurso dos Movimentos Traçados no chão. É (tem de ser) o Percurso dos Movimentos Traçados no ar. Acreditar que os pássaros são restos de COREOGRAFIAS. Imagens do corpo que ficaram para atrás, suspensas.

(As nuvens ainda, tudo o que é alto, o céu.) Os pássaros são restos de coreografias” Gonçalo M. Tavares (Relógio d’Água, 2018)

Conceção e direção artística Filipa Francisco
Assistente de direção artística, direção técnica e cenografia Matthieu Réau
Composição e direção musical Tiago Pereira
Cocriação e interpretação António Almeida, Beatriz Marques Dias, Bruno Alexandre, Edgar Costa, Filipa Francisco, Joana Carvalho, Luísa Batista, Tiago Pereira, Verónica Calheiros e Verónica González
Figurinos Carlota Lagido
Máscaras Fernando Nelas
Administração e gestão financeira Mónica Talina
Direção de produção Vítor Alves Brotas | Agência 25
Produção local Diana Caramelo
Registo vídeo e realização de documentário Miguel Canaverde + Pedro Mourinha
Fotografia de cena Bruno Simão

Apoio: República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes
Apoio alojamento:Aoseuserviço, Lda.
Apoio residências em Almada Casa da Dança de Almada
Acolhimento ateliês em Almada Casa da Juventude / Município de Almada
Produção Mundo em Reboliço
Coprodução Município de Belmonte

Agradecimentos Acácio Dias, Adília Antunes, Alexandre Abreu, Angelina, António Manuel Manteigueiro, Aoseuserviço, Lda – Paulo Manteigueiro, Carlos Afonso, Centro de dia do Colmeal da Torre, Cestaria Avenida – Fernando Nelas, Elisabete Robalo, Hugo Cruz, Joaquim Antunes, José Leal, Oxicapital, Sr. Miranda e Susana Miranda.

Data

Set 04 2020 - Set 06 2020

Tempo

19:00 - 21:00

Localização

Castelo de Belmonte
Categoria
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